3 dias, 3 paragens, 3 razões para ficar
Por: Raquel Lima
Como já é tradição, os professores da disciplina de EMRC, organizam para todos os alunos, inscritos nesta disciplina, do secundário, um jornada de três dias em que a temática é: conhecer monumentos e locais relacionados com a história da religião católica. Sempre com grande interesse e empenho, os dois professores, António Barbas e Patrícia Gonçalves com a colaboração da professora de matemática Sandra Perdido, embarcaram com 37 aventureiros, nos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro com destino a Ávila, Toledo e Salamanca, três maravilhosas cidades espanholas.
No primeiro dia, bem cedo, partimos da escola com uma cara expectante e curiosa e apesar de alguns percalços pelo caminho chegámos sãos e salvos ao nosso primeiro local a visitar: Ávilla. Começamos por almoçar e de seguida passeámos no centro histórico da cidade. Ávila é uma cidade dentro de muralhas e apresenta-se fortemente marcada pela história, sobretudo dos séculos XII e XV. Passeámos por praças e apreciámos alguns aspectos arquitectónicos, sempre acompanhados pelas nossas máquinas fotográficas prontas a disparar na altura certa. A visita foi curta, visto que ainda nos faltava um longo caminho até à pousada onde ficaríamos a dormir nas duas noites. A noite é sempre palco de grande agitação, mas é de salientar a grande firmeza dos três responsáveis pela visita.

Com o sol escondido atrás das nuvens cinzentas e debaixo de muita chuva partimos para Toledo, uma cidade magnífica aos nossos olhos. Na sua arquitectura conseguimos distinguir traços da cultura árabe, muito visíveis nos arcos da praça de Zocodover, onde permanecemos no inicio da visita para ouvir algumas recomendações e para nos darem a conhecer alguns aspectos importantes sobre a história da cidade, como o facto de haver uma mistura cultural nesta cidade entre muçulmanos (moçárabe), judeus e cristãos. Visitámos a Catedral, onde fomos surpreendidos por um “banho” multicultural. Uma das salas que mais me surpreendeu foi a sala do tesouro, onde eram guardadas as peças mais valiosas como uma custódia banhada a ouro que é considerada uma jóia e a sala onde estavam grandes obras da arte religiosa entre as quais quadros de El Greco, um pintor que viveu em Toledo, mas também Rubens um pintor Barroco, entre muitos outros. Tivemos a oportunidade de visitar uma antiga Sinagoga, onde estava uma exposição de pinturas religiosas em que podemos verificar, efectivamente, a influência árabe nesta cidade. As pinturas eram de uma perfeição incomparável e retratavam assuntos como o divórcio, como alcançar a felicidade e o amor de Cristo em nós. Após uma paragem para repousar e retomar energias, assim como também, desfrutar do comércio da zona, fomos ao museu de Castilla-La- Mancha onde observamos algumas peças de tapeçaria, azulejos, entre os quais alguns originários de Lisboa, e variadas peças de cerâmica. Tentámos ainda visitar umas escavações arqueológicas, mas sem qualquer sucesso. Pelo caminho, encontrámos alguns alunos portugueses, também de passagem pela bela cidade. Assim se passou o dia, e regressamos estafados à nossa “casa provisória”.
Finalmente, mas não menos importante, fomos para Salamanca, uma cidade cheia de beleza e cultura, onde em cada esquina encontramos uma pessoa diferente e nunca nos cansamos de nos perder nas suas ruas, sem fim nem começo. É uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas Clássica e Barroca. A nossa paragem foi a Catedral e a fachada da universidade onde procurámos encontrar a célebre rã, um dos símbolos mais carismáticos da cidade. Seguimos para a Plaza Maior onde mais uma vez a nossa simpatia rendeu alguns estudantes estrangeiros que por ali passaram, o que deu lugar a boa disposição e muitos momentos guardados. Regressamos a casa nesse dia com a sensação de querer mais e mais.
Recomendo estas actividades a todos os jovens que gostam de descobrir, são curiosos e não têm medo das diferenças. Valeu pela experiência.